Tempo de leitura: 10 minutos

Aos 24 anos, estava sentado num café da Avenida da Liberdade, em Lisboa, a olhar para o saldo da minha conta: 8.347 euros. Poupados, ganhos, acumulados – mas sem estratégia. Sabia que queria construir uma carteira de investimento, mas não fazia ideia por onde começar. Hoje, três anos depois, a minha carteira vale mais de 42.000 euros. Como o consegui, que erros cometi e o que podes aprender com isso, conto-te aqui.

A independência financeira nunca foi para mim apenas um bonito pensamento, mas um objetivo concreto. Não queria apenas viver, queria viver de forma autodeterminada. E sabia: isso só é possível se fizer o meu dinheiro trabalhar para mim.

Porque comecei a investir dinheiro

O gatilho foi um número que um conhecido me disse numa festa em Lisboa: segundo um estudo do Bundesbank (o banco central alemão) de 2022, o património líquido médio dos menores de 30 anos na Alemanha era de apenas 16.500 euros. Isso chocou-me. Não queria ser mediano. Queria investir bem o meu dinheiro, para criar património já na casa dos vinte, e não só começar aos 40.

Ao mesmo tempo, havia esta insegurança: e se perder tudo? E se tomar as decisões erradas? Não tinha pais ricos que me mostrassem o caminho. Tinha apenas a mim, a minha vontade e acesso à internet. Por isso, comecei a pesquisar.

Os meus primeiros passos na bolsa como principiante

O primeiro passo foi uma conta de investimento. Em março de 2021, optei pela Trade Republic, porque as comissões eram baixas e a app funcionava de forma intuitiva. O registo demorou menos de dez minutos. Depois, deparei-me com a pergunta: onde pôr o meu dinheiro?

Cometi dois erros clássicos de principiante. Primeiro, comprei ações individuais porque soavam emocionantes. GameStop, Tesla, BioNTech. Segundo, investi tudo de uma só vez, 5.000 euros numa semana. O resultado: a minha carteira oscilava diariamente entre 200 e 300 euros. Dormia mal, abria a app de duas em duas horas e perdi 8 por cento nos primeiros três meses.

O que me ajudou depois foi uma estratégia simples, que encontrei num artigo da DECO Proteste: 70 por cento em ETFs, 20 por cento em ações individuais, 10 por cento numa conta poupança como reserva. Isso deu-me estrutura. Vendi as minhas compras arriscadas, aceitei a perda e voltei a construir.

Que ETFs escolhi e porquê

Optei pelo ETF MSCI World da iShares. Replica 1.600 empresas de 23 países desenvolvidos. Segundo um artigo do Finanztip (portal alemão de finanças) de janeiro de 2023, este ETF rendeu, em média, 7,9 por cento ao ano nos últimos 20 anos. Não é espetacular, mas é sólido.

A isto juntei um ETF MSCI Emerging Markets com uma ponderação de 20 por cento, para cobrir também os mercados emergentes. Em conjunto, estes dois fundos formaram a base da minha carteira. Todos os meses depositava 300 euros através de um plano de poupança, automaticamente no dia 1 do mês. Isso tirou-me a decisão de saber se o momento era favorável.

Como construo a minha primeira carteira de investimento – números concretos

Em junho de 2021, a minha carteira estava assim construída: 5.600 euros no ETF MSCI World, 1.400 euros no ETF Emerging Markets, 1.000 euros em três ações individuais (Apple, Microsoft, LVMH) e 800 euros numa conta poupança. No total, 8.800 euros.

A estratégia do plano de poupança foi decisiva. Na altura, ganhava cerca de 1.500 euros líquidos por mês. Investir 300 euros parecia difícil, mas era possível. Cortei nas despesas: menos jantares fora, menos compras, mais refeições feitas em casa. A disciplina compensou.

Entre julho de 2021 e dezembro de 2022, mantive-me firme no meu plano. Mesmo quando os mercados caíram na primavera de 2022 e a minha carteira chegou a estar 18 por cento no vermelho. Continuei a comprar. A isto chama-se efeito de custo médio: quando as cotações estão baixas, compras automaticamente mais unidades pelo mesmo montante.

Os maiores erros que cometi

O meu primeiro portfólio de investimento como sugar boy gay

O erro número um já mencionei: ações individuais arriscadas, sem pesquisa. O erro número dois foi emocional: comparava-me constantemente com os outros. Um conhecido gabava-se no Instagram de ter ganho 4.000 euros num mês com criptomoedas. Senti-me tolo com os meus ETFs lentos.

No outono de 2021, investi por isso 1.200 euros em Bitcoin. Em seis meses, o dinheiro valia apenas 680 euros. Vendi, frustrado, e aprendi: investe só no que compreendes. Eu não compreendia realmente as criptomoedas.

Erro número três: subestimei a importância da diversificação. No verão de 2022, pus demasiado dinheiro em ações tecnológicas, porque estavam a ir bem. Quando o setor tecnológico caiu, perdi 1.100 euros em dois meses. Desde então, sigo a minha regra 70-20-10.

Alcançar a independência financeira como jovem

Hoje, a minha carteira está nos 42.300 euros. Isso corresponde a uma rentabilidade média de cerca de 9,2 por cento ao ano, depois de deduzidas todas as comissões e perdas. Tenho orgulho nisso, porque o consegui sozinho. Sem herança, sem prémio de lotaria, apenas disciplina e paciência.

Para mim, independência financeira não significa ser milionário. Significa poder tomar decisões sem me sentir financeiramente pressionado. Posso fazer uma pausa quando preciso. Posso dizer não a empregos que não me realizam. E posso investir em projetos que são importantes para mim.

Esta independência também mudou a minha vida amorosa. Quando comecei a ocupar-me da criação de património, conheci homens que pensavam de forma semelhante. Em plataformas como o MySugardaddy, conheci daddies que eles próprios tinham investido com sucesso e me deram dicas valiosas. Um deles, um empresário do Porto, recomendou-me o livro "Souverän investieren", de Gerd Kommer. Isso marcou decisivamente a minha estratégia.

O que faria de forma diferente hoje

Se pudesse começar de novo, mudaria três coisas: primeiro, começaria mais cedo. Cada ano conta, porque os juros compostos precisam de tempo. Segundo, investiria desde o início mais na minha formação. Livros, podcasts, seminários – o conhecimento compensa a longo prazo mais do que qualquer ação individual. Terceiro, manter-me-ia mais sereno. As oscilações diárias já não me interessam hoje. Só olho para a carteira uma vez por mês.

Dicas práticas para o teu início

Também queres começar? Aqui está o meu guia concreto para dares os primeiros passos na bolsa como principiante:

  • Abre uma conta de investimento gratuita num corretor económico como a Trade Republic, a Scalable Capital ou a DEGIRO. Compara antes as comissões em portais de comparação como a DECO Proteste ou o Doutor Finanças.
  • Define quanto podes investir por mês. Começa pequeno, mesmo 50 euros por mês levam-te mais longe do que nada. Aumenta o montante quando o teu rendimento subir.
  • Escolhe um ETF amplamente diversificado, como o MSCI World ou o FTSE All-World. Ambos cobrem a economia global e minimizam o teu risco.
  • Configura um plano de poupança que corra automaticamente no início do mês. Assim não tens de agir de cada vez e evitas decisões emocionais erradas.
  • Mantém uma reserva de emergência de três a seis meses de salário numa conta poupança. Investe apenas dinheiro de que não precises durante pelo menos cinco anos.

Esta estratégia é simples, mas eficaz. Segundo uma análise do Finanztip de 2023, os investidores que desde 2003 investiram 100 euros por mês no MSCI World teriam obtido, até ao final de 2022, uma rentabilidade média de 8,1 por cento ao ano. Com 24.000 euros depositados, isso dá cerca de 39.000 euros de capital final. O tempo e a paciência quase sempre vencem a especulação de curto prazo.

Como o meu estilo de vida mudou com o investimento

O meu primeiro portfólio de investimento como sugar boy gay

Investir tornou-me mais consciente. Antes, comprava roupa cara por impulso ou gastava 80 euros numa noite de discoteca, sem pensar. Hoje pergunto-me: preciso mesmo disto ou posso investir melhor este dinheiro? Soa careta, mas sabe bem.

Ao mesmo tempo, permito-me conscientemente coisas que são importantes para mim. As minhas visitas regulares a provas de vinhos ou um bom jantar com um encontro não dispenso. A educação financeira não significa privação, mas prioridades inteligentes. Aprendi que uma aparência cuidada e a confiança em si próprio trazem muitas vezes mais do que o smartphone mais recente. Por isso, também invisto no meu desenvolvimento pessoal, por exemplo através de provas de vinhos que me dão mais confiança, ou de uma sólida rotina de cuidados faciais, que me deixa mais seguro de mim.

Também os meus encontros mudaram. Entretanto, conheço homens que têm objetivos semelhantes. Não falamos só de festas e férias, mas também de ações, imobiliário e poupança para a reforma. Pode parecer aborrecido, mas une. No MySugardaddy encontrei daddies que não só têm sucesso financeiro, como também estão dispostos a partilhar o seu conhecimento. Um deles, um investidor de Cascais, mostrou-me como construir a minha carteira de forma fiscalmente otimizada. Conversas assim valem ouro.

Perguntas frequentes

De quanto dinheiro preciso para construir uma carteira de investimento?

Não precisas de muito. Na maioria dos corretores, podes começar já a partir de 1 euro por execução do plano de poupança. Recomendo pelo menos 50 euros por mês, para que o efeito dos juros compostos se note ao longo dos anos. Com 100 a 200 euros por mês, já estás bem encaminhado. Mais importante do que o montante é a regularidade. Quem investir durante 20 anos 150 euros por mês, com uma rentabilidade média de 7 por cento, tem no fim mais de 75.000 euros.

Que erros devo evitar a todo o custo como principiante?

Evita decisões emocionais. Não compres porque uma ação está na moda e não vendas em pânico quando as cotações caem. Evita também pôr todos os ovos no mesmo cesto. As ações individuais são arriscadas, diversifica antes com ETFs. E evita comissões elevadas. Cada ponto percentual de comissões come a tua rentabilidade. Compara bem os corretores e escolhe fornecedores económicos.

Como descubro que ETF é o certo para mim?

Pergunta-te: qual é a minha tolerância ao risco? Se és orientado para a segurança, escolhe um ETF mundial amplo, como o MSCI World. Se aceitas um pouco mais de risco, complementa-o com um ETF de mercados emergentes. Vê a taxa de custos (TER), que deve ficar abaixo dos 0,5 por cento. Usa ferramentas de comparação como o justETF ou o extraETF para comparar diferentes fundos. E lê os documentos de informações fundamentais, mesmo que sejam secos.

Posso alcançar a independência financeira também com pouco capital inicial?

Sim, absolutamente. A independência financeira não é uma questão de capital inicial, mas de disciplina e tempo. Mesmo com 50 euros por mês, constróis ao longo de 30 anos, com 7 por cento de rentabilidade, um património de mais de 60.000 euros. Pode não chegar para a volta ao mundo, mas dá-te segurança e opções. O importante é começar cedo e persistir. Cada ano que esperas custa-te milhares de euros de rentabilidade potencial.

Quanto tempo demora até ver os primeiros sucessos?

Os primeiros sucessos palpáveis vês ao fim de cerca de dois a três anos. Nessa altura, o efeito dos juros compostos começa a atuar e a tua carteira cresce não só pelas tuas entradas, mas também pelos rendimentos. Ao fim de cinco anos tens uma base sólida, ao fim de dez anos fica realmente interessante. A paciência é o mais importante no investimento. Quem espera enriquecer depressa fica desiludido. Quem pensa a longo prazo ganha quase sempre.

A minha conclusão após três anos a investir

Construir a minha primeira carteira de investimento foi uma das melhores decisões da minha vida. Ajudou-me não só financeiramente, mas também a nível mental. Sinto-me mais autodeterminado, mais calmo e mais claro nos meus objetivos. Aprendi que criar património não é bruxaria, mas uma combinação de conhecimento, disciplina e tempo.

Se és um jovem na casa dos vinte ou início dos trinta, começa agora. Cada ano conta. Não tens de ser um génio das finanças, só tens de dar o primeiro passo. Abre uma conta de investimento, configura um plano de poupança e mantém-te firme. Os primeiros meses podem parecer insignificantes, mas dentro de cinco anos vais ter orgulho em ti.

E se procuras apoio no teu caminho, seja financeiro ou pessoal, olha à tua volta. Existem comunidades, blogues e plataformas onde encontras pessoas com os mesmos interesses. Aprendi muito com a troca com homens gay experientes que já percorreram o seu caminho. Aproveita estes recursos. Não estás sozinho e não tens de reinventar a roda. A independência financeira é alcançável, também para ti. Começa hoje.